Caracterização || Vídeo-EEG || Estudos do sono || Estudos Urodinâmicos
Potenciais Evocados (PE) || Electromiografia (EMG)



Caracterização

Realização de registos de actividade bioeléctrica do sistema nervoso central e periférico, como meio de diagnóstico na área da neurofisiologia, com particular incidência nas patologias do foro neurológico e neurocirúrgico, recorrendo a técnicas convencionais e ou computarizadas. -- D.L. 261/93, de 24 de Julho e D.L. 564/99 de 21 de Dezembro.

Exerce funções inerentes ao registo da actividade bioeléctrica do sistema nervoso central e periférico, como meio de diagnóstico na área da neurofisiologia, com particular incidência nas patologias do foro neurológico:
efectua registos da actividade bioeléctrica do sistema nervoso central, tais como electroencefalograma simples ou com poligrafia e com várias provas de activação no laboratório ou fora deste, monitorização electroencefalográfica prolongada, monitorização video/electroencefalograma, electroencefalograma com maping cerebral, registo poligráfico de sono diurno ou nocturno no laboratório e ambulatório com estadiamento de sono, utilizando técnicas convencionais ou compoturizadas; colabora na realização de monitorização intraoperatória (corticografia) com mapeamento e estimulação cortical, spect, teste tilt, teste wada, e outros testes que envolvam a actividade bioeléctrica cerebral, utilizando técnicas convencionais ou compoturizadas; efectua registos da actividade bioeléctrica do sistema nervoso periférico, nomeadamente potenciais evocados somatossensitivos, visuais e auditivos do tronco cerebral, velocidades de condução nervosa, utilizando técnicas convencionais ou compoturizadas; colabora na realização de electromiografia. -- Classificação Nacional de Profissões / 2006

Nova designação proposta para a profissão: Neurofisiologista



Vídeo-EEG

A epilepsia é uma condição médica comum, tendo em Portugal uma prevalência estimada em 0,5-1% e uma incidência anual de 40 a 50 novos casos por 100.000 habitantes.
Cerca de um terço dos casos têm formas de epilepsia refractária ao tratamento médico, com impacto significativo na qualidade de vida, necessidade de investigação mais profunda e seguimento clínico apertado por técnicos de saúde diferenciados.
A monitorização vídeo-EEG é actualmente o “gold standard” na investigação neurofisiológica das crises epilépticas. O registo simultâneo da fenomenologia ictal e da actividade eléctrica cerebral permite fazer o diagnóstico diferencial entre crises epilépticas e eventos paroxísticos de outra natureza, classificar rigorosamente as crises do ponto de vista semiológico, definir o seu ponto de partida, quantificar a sua frequência, ou estabelecer a sua relação com a medicação em curso. O regime mais apropriado para fazer este tipo de exames é o internamento hospitalar em unidade dedicada, por períodos geralmente superiores a 24 horas e tipicamente durando 4 a 5 dias no doente adulto. Neste regime, assegurando a vigilância contínua por técnicos de neurofisiologia diferenciados, é inclusive possível diminuir a medicação anti-epiléptica em curso para maximizar a probabilidade de registar crises.
Os eléctrodos são colocados segundo o sistema internacional 10-20, e para aumentar a amostra espacial são colocados eléctrodos do sistema 10-10 abrangendo as zonas cerebrais que mais importância têm para estudo.
Os locais de registo e de posicionamento dos eléctrodos são aferidos através de medições rigorosas obedecendo às regras instituídas pelos sistemas 10-20 e 10-10.
Os eléctrodos são fixados com colódio, sendo esta técnica actualmente o método mais seguro e capaz de assegurar a monitorização electroencefalográfica de longa duração.
Devem ser mantidas as condições óptimas de registo e de aquisição de sinal, pelo que o Técnico de Neurofisiologia deve periodicamente corrigir e baixar impedâncias, colocando gel condutor em todos os eléctrodos, substitui-los se necessário e rever a boa fixação de todos os restantes.

A revisão de traçados em simultâneo com registo áudio-visual é da responsabilidade do Técnico de Neurofiosologia. Este selecciona os segmentos de EEG basal, paroxismos epileptiformes e anomalias não epileptiformes significativas. Estes elementos devem ser categorizados e, no caso de paroxismos epileptiformes, quantificados por recurso a amostragem periódica. É da responsabilidade dos elementos médicos a revisão e classificação definitiva destes segmentos.


Estudos do sono

"O técnico de neurofisiologia na área do sono deve conhecer as várias patologias do sono (características clínicas e electrofisiológicas).

Ainda que cada laboratório de sono tenha as suas montagens de rotina, o técnico deve ter conhecimento e autonomia para adaptar a cada patologia o número e tipo de eléctrodos e sensores a aplicar (nos casos justificados e sempre que a história clínica o justifique).

Após realização da PSG o técnico de neurofisiologia deverá realizar o estadiamento das fases de sono (hipnograma),parâmetros respiratórios e movimentos dos membros. Para além destes eventos o relatório técnico PSG deverá incluir caracterização da microestrutura do sono, caracterização do comportamento observado durante o registo video, todos os aspectos considerados patológicos.

O relatório médico PSG será elaborado com base no relatório técnico PSG e o relatório final deverá ser assinado por ambos."


Estudos Urodinâmicos

Do ponto de vista clínico, os Estudos Urodinâmicos propõem-se a medir e registar as várias variáveis fisiopatológicas relacionadas com o enchimento e esvaziamento da bexiga. Desta forma, podemos dizer que a urodinâmica é um conjunto de testes que têm a pretensão de avaliar a função vesico-uretral.
Nasce da necessidade de suporte clínico controlado objectivamente, de forma a poder fornecer os dados funcionais que reproduzem a sintomatologia dos doentes. Assim, é da responsabilidade do Técnico que realiza estes testes, saber quais os sintomas dos doentes, para que esteja habilitado a conduzir o exame da forma mais correcta, a fim, destes mesmos sintomas serem convenientemente reproduzidos e objectivados durante o estudo.
Os Técnicos de Neurofisiologia têm formação e conhecimento adequados no que respeita a anatomia, fisiologia, neurofisiologia e fiso-patologia do tracto urinário baixo. Cabe ao Técnico de Neurofisiologia a correcta aquisição das curvas e a sua interpretação do ponto de vista técnico. Os profissionais que fazem parte da equipa de urodinâmica devem estar em permanente actualização, através dos vários organismos oficiais da área. Como qualquer estudo funcional, é passível de influências e desvios por factores externos, por isso cabe aos Técnicos de Neurofisiologia a permanente e adequada renovação de conhecimentos, pois a correcta abordagem e interpretação das curvas passa pelo estudo e discussão das mesmas.


Potenciais Evocados (PE)

Os Potenciais Evocados (PE) são respostas electrofisiológicas do córtex cerebral que são despoletadas por diversos tipos de estímulos sensoriais. Estes estímulos poderão ser visuais, auditivos e sensoriais. Para se proceder à sua realização deverão ser colocados diversos eléctrodos ao longo da via a ser estudada. Após a aplicação dos diferentes tipos de estímulos registam-se os potenciais por eles evocados. Os PE Visuais são testados colocando-se eléctrodos nas regiões posteriores (occipitais) e aplicando-se estímulos visuais através de um monitor que produz um padrão de xadrez alternante. A sua principal indicação é a aferição da existência de lesões ao longo da via visual, principalmente a existência de lesões desmielinizantes ao nível dos nervos ópticos. Os PE Auditivos são efectuados colocando-se sensores junto à região auricular e realizando-se uma estimulação auditiva através de uns auscultadores que produzem um som tipo click. O seu principal objectivo é averiguar o estado da via neurológica auditiva, pesquisando a existência de hipoacúsias de tipo transmissional ou neurossensoriais. Os PE Somatossensitivos são efectuados aplicando-se eléctrodos ao longo das vias ascendentes sensitivas, nomeadamente ao nível do nervo periférico, plexos, medula e córtex sensitivo primário, registando-se nestes pontos os potenciais gerados pela aplicação de um choque eléctrico de baixa voltagem, ao nível de um nervo dos membros superiores, inferiores ou face. Têm indicação no estudo de patologias que afectem os cordões posteriores medulares, bem como de toda a via sensitiva até ao cérebro, tais como as mielopatias de diferentes etiologias. Existem ainda os PE motores, que servem para avaliar as vias motoras, aplicando-se um estímulo eléctrico ou magnético sobre o córtex motor, medula ou nervo periférico, registando-se o potencial despoletado pela contracção de um músculo da mão ou do pé; e os PE cognitivos, denominados de longa latência ou relacionados com eventos, são despoletados por processos cognitivos inerentes à forma como percepcionamos diferentes tipos de estímulos, quer sejam auditivos, visuais ou de outro tipo. Contribuem para a investigação de algumas habilidades envolvidas no processamento da informação (atenção, discriminação e memória).
O técnico de neurofisiologia na área dos PE deve conhecer as várias patologias do sistema nervoso central e periférico, com especial atenção para os órgãos dos sentidos (características clínicas e electrofisiológicas).
O neurofisiologista deverá recolher os dados demográficos e clínicos dos pacientes e executar o exame, respeitando todos os princípios de segurança e éticos. Após a realização do estudo, poderá realizar um relatório técnico para uma posterior interpretação clínica e relato por parte do médico neurofisiologista.


Electromiografia (EMG)

A Electromiografia (EMG) é um procedimento diagnóstico que avalia o funcionamento dos músculos e dos nervos que os controlam. É geralmente constituído por duas partes, os estudos de condução nervosa (electroneurografia) e a EMG de agulha propriamente dita. A electroneurografia consiste na estimulação eléctrica de nervos periféricos através de pequenos pulsos de corrente aplicados sobre diversos pontos na pele, avaliando-se o sinal por eles gerado. Esta técnica permite-nos averiguar o estado de funcionamento do nervo, músculo e transmissão neuromuscular. A EMG baseia-se na inserção de um eléctrodo de agulha ao nível do músculo, com o intuito de medir a sua actividade eléctrica inferindo-se o seu estado de funcionamento e a forma como está enervado.
O técnico de neurofisiologia na área da electromiografia deve conhecer as várias patologias do sistema nervoso central e periférico, do músculo e transmissão neuromuscular (características clínicas e electrofisiológicas), as quais têm indicação para a realização de EMG.
O neurofisiologista deverá recolher os dados demográficos e clínicos dos pacientes, realizar a electroneurografia e colaborar na realização de EMG de agulha, respeitando todos os princípios de segurança e éticos. Após a realização do estudo, poderá realizar um relatório técnico para uma posterior interpretação clínica e relato por parte do médico neurofisiologista.